Todas as sessões ocorrerão no canal Youtube Apophatiké - Estudos Interdisciplinares em Mística:

Os encontros ocorrerão, online, pelo Canal do Apophatiké:

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* As inscrições para certificação serão realizadas durante os encontros de acordo com as datas. Receberão certificados quem cumprir com 70% das atividades.

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PROGRAMAÇÃO


1º encontro - dia 25/05/2026 - 19h.



Prof. Dr. Marcelo Barreira 

A “experiência” entre o dizer e a linguagem comum na mística de João da Cruz - Uma leitura desde Michel de Certeau.

Resumo: A abordagem certeauniana da mística, em sua obra A Fábula Mística: Séculos XVI e XVII (2015), frisa um deciframento do não dito ou silenciado naquilo que foi dito. Assim, acompanharemos esse eixo interpretativo na leitura do que seria uma apropriação do símbolo da “noite” e dos estados dionisianos por João da Cruz, que ilustra uma circularidade entre o “dizer” poético e a “linguagem comum” para resgatar o sentido “esquecido” de sua origem metafórica, como gesto ético “essencial” da enunciação mística, sendo essa essência da enunciação mística um acontecimento do dizer poético. Assim, nossa leitura do que seria uma apropriação do símbolo da “noite” e dos estados dionisianos por João da Cruz ilustra uma circularidade entre o “dizer” poético e a “linguagem comum” para resgatar o sentido “esquecido” de sua origem como gesto ético “essencial” da enunciação mística. Nesse sentido, a imprevisibilidaded a experiência carrega a seiva vital e original de um “dizer” não indexicalizável, ou seja, a dimensão existencial da experiência subverte a teologia por ser uma ação direta e teologal que estimula, mais do que a inefabilidade, o espaço poético de um “dizer” em sua densa potencialidade semântica.

Palavras-chave: Mística; João da Cruz; Michel de Certeau; poesia.


2º encontro - dia 15/06/2026 - 19h.

Prof. Dr. Messias Correia

 

A ascensão da alma: desapego e amor na mística de João da Cruz.

Resumo: A mística constitui um fenômeno presente na experiência humana, manifestando-se tanto no âmbito religioso quanto fora dele, inclusive entre indivíduos sem vínculo com credos ou instituições organizadas. Diante desse amplo horizonte, este estudo delimita-se à tradição cristã, com foco na obra Subida ao Monte Carmelo, do místico espanhol João da Cruz. Seus escritos delineiam um itinerário de transformação interior que conduz à união com o divino. Tal percurso é marcado pela purificação dos sentidos e pelo desapego das realidades criadas, etapas necessárias para que a alma alcance a união amorosa com Deus. João da Cruz enfatiza que a alma deve libertar-se não apenas das percepções sensíveis, mas também das experiências espirituais às quais se apega, pois, esses apegos acarretam diversos prejuízos: enfraquecimento da fé, impedimento da elevação espiritual, dificuldade na verdadeira resignação e fixação no que é inferior ou secundário. Como consequência, a alma pode gradualmente afastar-se da graça, chegando a confundir o mal com o bem. E não somente isso, pode incorrer em uma escolha inferior em detrimento do verdadeiro Bem, Deus. Desse modo, a fidelidade da alma permite que Deus a conduza por um processo ascensional, estruturado em sete graus de amor, número simbólico da perfeição, que se contrapõem aos seis danos causados pelo apego desordenado. Esses graus representam o amadurecimento progressivo da alma em sua luta contra os vícios, culminando na união transformante. A imagem da subida ao monte expressa, assim, o dinamismo do crescimento espiritual e da maturação interior. Diante disso, a problemática gravita em todo da necessidade em entender como ocorre a dinâmica ou o processo de desapego dos bens sensíveis e espirituais na mística do monge carmelita. Do mesmo modo, é pertinente saber a que se destina tal desprendimento e qual o resultado a alma alcança mediante a esse processo de elevação espiritual.

 Palavras-chave: João da Cruz. Mística. Amor. Elevação Espiritual.
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3° encontro - dia 06/07/2026 - 19h.


      

Francisco Romário de Queiroz Silva e Prof. Dr. Antonio Pereira Júnior


A ação cauterizadora da chama no processo de purificação do homem interior para a união da alma com Deus na mística de são João da Cruz.

Resumo: Adentrar na mística teológica de São João da Cruz constitui, per se, um desafio de altíssima exigência teórico-espiritual; nesse sentido, devemos nos aproximar com bastante cautela e humildade intelectual. Dito isto, este breve ensaio propõe-se a investigar o processo de cauterização da alma realizado pela Divina Chama no homem interior, tal como descrito no poema “Chama de Amor Viva”, deste grande poeta místico. Para tanto, nossa pesquisa será norteada pela seguinte problemática: como um cautério ardente pode ferir de forma tão dolorosa o íntimo da alma humana e, ao mesmo tempo, tocá-la com tanta sensibilidade e ternura, conduzindo-a ao matrimônio espiritual, onde Amado e amante se unem num perfeito enlace místico de amor? Definido, assim, o nosso objeto de estudo — a saber, o referido poema —, procuramos identificar nele o eixo central da mística sanjoanista: o matrimônio espiritual da alma com Deus que, para acontecer, exige que a alma passe, primeiramente, por este processo de κάθαρσις (kátharsis), ou purificação e reordenação de suas faculdades interiores — inteligência, vontade e memória —, para que, assim, consiga desprender-se de todas as coisas que impedem tão sublime união. Nesse processo, a alma ainda cativa dos seus apetites sensíveis padece a dor do desprendimento, que somente com o auxílio da Graça Divina será possível superar. Auxiliada pela Graça e movida pelo amor do seu Amado, a alma permite a ação cauterizadora — embora dolorosa — em seu centro mais profundo, provocando uma transformação da alma que, agora purificada, se lança nos braços do Amado.

Palavras-chave: Mística; Chama de Amor Viva; cauterização; matrimônio espiritual.

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4º encontro - dia 20/07/2026 - 19h.


Dr. Gilmar Araújo Gomes

O Beijo da Divindade e o Repouso da Alma: perspectivas apofáticas comparadas entre Judá Abravanel e Juan de la Cruz no Cântico dos Cânticos.

Resumo: Trata-se da análise das convergências entre os Diálogos de Amor de Judá Abravanel (Leão Hebreu) e a produção mística de Juan de la Cruz na obra A Noite Escura da Alma, textos lidos sob a ótica da teologia apofática e da mística comparada. Nessas obras destacam-se conceitos como a morte feliz do amante, o desejo e o repouso da alma no amado. Em foco central está a hermenêutica do Cântico dos Cânticos, suporte lírico fundamental para o estudo da união mística em ambos os autores. Abravanel interpreta o texto salomônico como uma alegoria metafísica e cosmológica da união entre a Sapiência Divina (a Amada) e o Sumo Belo (o Amado), resultando na perfeição do intelecto criado através do beijo intelectivo que retira a alma do corpo. Por sua vez, Juan de la Cruz personifica essa busca na jornada purificadora da alma individual em direção ao Esposo, descrevendo o beijo divino como o toque substancial que transforma a criatura no Criador por participação amorosa. Enquanto o judeu sefardita fundamenta a união com Deus na copulação intelectiva e no sincretismo neoplatônico-cabalístico, o carmelita enfatiza a noite purificadora do espírito. A análise demonstra que, apesar das raízes confessionais distintas, ambos convergem no simbolismo nupcial de Salomão para exprimir o inefável. Deste modo, a mística comparada tende a revelar uma universalidade da superação da finitude humana no encontro unitivo com a divindade.

Palavras-chave: Judá Abravanel (Leão Hebreu); Juan de la Cruz; Cântico dos Cânticos; Morte Feliz; Mística Comparada; Teologia Apofática

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5º encontro - dia 10/08/2026 - 19h.

 

Prof. Dr. Cicero Bezerra

Contemplação e teologia mística: a presença de Pseudo Dionísio no Cântico espiritual de Juan de la Cruz.

 

Resumo: O Cántico espiritual tem como base uma experiência contemplativa marcada essencialmente pelo amor. Descrita em termos negativos, no sentido apofático que nutre uma longa tradição de intérpretes da obra pseudodionisiana, essa experiência encontra, nas Canções, toda a beleza poética que expressa a relação entre a alma (esposa) e Cristo (esposo). Compreendidas comumente em seus aspectos místicos, as Canções seriam exemplo de uma perenidade em que teologia (cristã) e filosofia (neoplatônica) formam uma unidade indissolúvel, marcada principalmente pelo caráter ascensional e extático-unitivo. No entanto, é preciso indagar sobre o que há de influência e de originalidade entre a teologia mística e o Cántico, elementos que os aproximam, mas também os diferenciam em seus pressupostos e finalidades.

Palavras-chave: Dionísio Pseudo Areopagita; Teologia mística; Juan de la Cruz; neoplatonismo.

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6º encontro - dia 31/08/2026 - 19h.


Ms. Artur Viana do Nascimento Neto 

Arquitetura poética do dizer místico: estudo formal e proposta de tradução do poema “Cântico Espiritual” de São João da Cruz

Resumo: Falar do poema “Cântico Espiritual” é, indubitavelmente, dirigir-se à peça poética sobre a qual São João da Cruz mais se debruçou. Os relatos de pessoas próximas ao poeta místico afirmam que o carmelita reformado iniciou a escrita desse poema quando ainda estava preso no cárcere toledano, em 1578, e que, nos meses seguidos a sua fuga da prisão, voltou, repetidas vezes, a revisitar suas estrofes, acrescentando novos versos e mudando sua ordem. Temos, portanto, uma composição que reflete o trabalho de um poeta profissional, o qual, afinado às tendências estéticas do período histórico em que estava inserido, soube lidar magistralmente com a arte da escrita poética, tanto na metrificação de seus versos, quanto nos recursos estilísticos e nas referências bíblicas das quais estão repletas suas “canções”. Assim, esta comunicação tem o objetivo de evidenciar o trabalho técnico de João da Cruz ao longo das quarenta “estrofes” do “Cântico Espiritual”; e para tornar essa análise mais encorpada foram considerados os estudos de Eulogio Pacho (1981) acerca do processo de criação e revisão do poema; as contribuições de Sânzio de Azevedo (1997) a respeito de uma teoria do verso; os estudos sobre a partir da perspectiva de Celso Cunha, Lindley Cintra (2001) e Evanido Bechara (2004) e as contribuições para os Estudos da Tradução de Christiane Nord (2016). O estudo formal do poema levou-nos a concluir que o “Cântico Espiritual” é, per se, uma peça exemplar da lira renascentista, uma releitura mística admirável do Cântico dos cânticos e uma escola esmerada do bom uso dos recursos estilísticos.

Palavras-chaves: Cântico Espiritual. São João da Cruz. Estilística. Estudos da Tradução. Metrificação.

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7° encontro - dia 14/09/2026 - 19h.



                                                     Profa. Dra. Cleide Maria de Oliveira 

Imagens noturnas na poesia de São João da Cruz

Resumo: A noite é um símbolo recorrente em diversas tradições místicas, estando associado à necessidade, expressa pela mística apofática, de transcender às imagens, ao conhecimento e ao nome de Deus, bem como a um método ascético que conduziria a uma experiência que não sendo sensível ou inteligível, não é catalogável pelo nosso sistema de cognição. Na poesia de São João da Cruz será uma das figuras mais poderosas e de maior expressividade, falando-nos de um processo de negação gradual e progressivo que avança até um ponto limite que onde reste a afirmação absoluta do Nome divino. A conferência pretende ensaiar algumas conjecturas sobre o significado da metáfora noite escura em São João da Cruz e no discurso místico em geral,

Palavras-chave: São João da Cruz; poesia; noite escura.

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8º encontro - dia 28/09/2026 - 19h.




Prof. Dr. Bruno Albuquerque

Experiência mística e escrita poética: São João da Cruz à luz da psicanálise

Resumo: Partimos de uma valiosa indicação do psicanalista francês Jacques Lacan em seu seminário “As psicoses”, onde ele estuda com criatividade e rigor a investigação psicanalítica de Sigmund Freud em “Observações psicanalíticas sobre um caso de paranoia (dementia paranoides) descrito autobiograficamente”. Em seu clássico estudo sobre a paranoia, o criador da psicanálise lê e comenta o livro “Memórias de um doente dos nervos”, escrito pelo jurista Daniel Paul Schreber, que se tornou um dos pacientes psiquiátricos mais conhecidos da literatura especializada. Explorando os detalhes do delírio paranóico do juiz sob diferentes abordagens, Lacan recorre à poesia de São João da Cruz como testemunho de uma experiência mística totalmente distinta da vivência de Schreber e, ao mesmo tempo, um formidável contraponto à devastação vivida na psicose. Embora os dois escritores se refiram a uma experiência com Deus, o relato do paciente alemão testemunha suas vivências em termos de uma invasão angustiante e devastadora, enquanto o místico espanhol escreve poeticamente sobre sua experiência como uma celebração jubilosa sob a metáfora de um casamento espiritual. Em suma, o objetivo deste trabalho é investigar as distinções entre a experiência mística e o delírio psicótico no pensamento lacaniano, a fim de apresentá-las como uma contribuição da psicanálise aos estudos da mística cristã.

Palavras-chave: Mística; poesia; São João da Cruz; Psicanálise; Jacques Lacan.

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9º encontro - 05/10/2026 - 19h.



Drd. Elves Franklin Bispo de Araujo 

Aproximações entre Mestre Eckhart e João da Cruz: a presença ausente do nada

 

Resumo: Estudos recentes, a exemplo do artigo San Juan de la Cruz, lector del Maestro Eckhart da Profª. Drª. Silvia Bara Bancel, evidenciam como São João da Cruz teve acesso, tanto indireto quanto direto, aos escritos do Mestre Eckhart. Tais aproximações se deram por meio das obras de Tauler traduzidas no século XVI, especialmente na versão latina de 1548 de Surio, amplamente difundida na Espanha. A autora sustenta que tais textos eckhartianos traduzidos por Tauler e Surio exerceram influência significativa sobre o pensamento do místico carmelita, sobretudo em noções centrais da tradição mística, como o despojamento, a interioridade e a união com Deus. Embora São João da Cruz e Mestre Eckhart pertençam a épocas e contextos diferentes (século XVI espanhol e século XIV alemão, respectivamente), ambos compartilham temas profundos de "desapossamento" (desapego), negação e aniquilação do eu para a união com Deus. Outrossim, como Eckhart no Sermão 68, são numerosos os convites do carmelita para o desprendimento; por exemplo, em seu poema do Monte Carmelo quando diz que "para vir de tudo para tudo, você tem que se deixar de tudo em tudo". Assim, é a partir da análise dos Sermões 1, 4, 17, 46, 68, 69, 101, 102 e 104B e outras passagens eckhartianas que tal aproximação entre os autores identifica convergências temáticas e ressonâncias conceituais nas obras, permitindo considerar, de modo fundamentado, que João da Cruz pode ser compreendido como leitor de Eckhart, sem prejuízo de sua originalidade, mas antes como expressão de uma reelaboração criativa no interior da tradição mística cristã. 

Palavras-chave: Eckhart; João da Cruz; mística; neoplatonismo.

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10º encontro - 19/10/2026 - 19h.

Ms. Gustavo Gomes Zuma

Da via meditativa à via contemplativa: três sinais para a transição segundo São João da Cruz

Resumo: João da Cruz, Doutor da Igreja e místico contemplativo, descreve o itinerário espiritual que conduz à união perfeita com Deus por meio do amor. Sua doutrina, estruturada a partir de poemas em verso seguidos de comentários em prosa, aborda o caminho a ser percorrido por aqueles que aspiram à perfeição, prerrogativa para o matrimônio espiritual definitivo da alma com o Amado.

Reconhecido como expoente da teologia mística de caráter apofático, João da Cruz propõe uma ascese marcada pelo despojamento radical: “para chegar a tudo, é preciso renunciar a tudo”. Sua doutrina se organiza em torno da dinâmica do “tudo e nada”, que implica a suspensão do modo discursivo de conhecimento e abre espaço à infusão de uma notícia geral, amorosa e obscura de Deus, superando o esforço de apreensão conceitual por parte do entendimento.

O início do caminho, entretanto, deve ser percorrido de modo ativo pelo aspirante, por meio de exercícios espirituais que têm por função purificar os sentidos e melhor preparar a alma para o cultivo da vida interior. A meditação discursiva apoiada em imagens, formas e figuras é um dos exercícios espirituais exortados aos iniciantes no caminho. Este tipo de disciplina mobiliza as faculdades do entendimento e, nesta etapa, o aspirante pode receber comunicações espirituais que alimentam e fortalecem sua devoção no caminho de ascese.

No capítulo XIII do Livro II da Subida do Monte Carmelo, João da Cruz aponta três sinais, a serem observados pelo aspirante, que indicam o momento oportuno de se abandonar a via meditativa e abraçar a via contemplativa.

O objetivo desta comunicação é expor esses sinais, bem como situar o modo pelo qual os iniciantes são introduzidos na contemplação, etapa decisiva no itinerário espiritual delineado pelo Doutor Místico.

Palavras-chave: João da Cruz; contemplação; teologia mística; via apofática; meditação.

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11º  encontro - dia 16/11/2026 - 19h.

 


Dr. Irenio Silveira Chaves

Uma leitura protestante da “Noite Escura da Alma”: Fé e graça na mística de João da Cruz.

 

A leitura protestante da “Noite escura da Alma”, de São João da Cruz – ou simplesmente João da Cruz, numa concepção radicalmente protestante – pode ser realizada a partir do aspecto pedagógico da graça, na qual a fé é purificada de seus pressupostos sensíveis e intelectuais. Tendo como ponto de partida a ideia de que a “noite” representa um processo de esvaziamento das seguranças humanas, conduzindo a alma a uma união mais plena com Deus, é possível traçar um itinerário que pode ser compreendido como a radical dependência da graça divina, na qual toda pretensão de mérito humano é desfeita. A teologia protestante enfatiza que a fé autêntica emerge precisamente quando o sujeito reconhece sua incapacidade de alcançar Deus por suas próprias forças. Nesse sentido, a “noite escura” pode ser vista como uma experiência existencial análoga ao conceito de anfechtung (tentação) de Lutero. Trata-se de uma expressão jurídica que se refere a um momento de crise, dúvida e abandono, no qual Deus parece ausente, mas está operando de modo oculto. A graça, então, não se manifesta como consolo imediato, mas como sustentação invisível. A abordagem poética de São João da Cruz oferece uma abordagem que dialoga com a compreensão do Deus que age na obscuridade, e da fé que se torna confiança despojada, não apoiada em evidências sensíveis.

 

Palavras-chave: Mística; São João da Cruz; Protestantismo; Noite Escura da alma; Graça.

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12º encontro - dia 14/12/2026 - 19h.



Profa. Dra. Maria Clara Bingemer 

Chama de amor viva: os paradoxos da linguagem de Juan de La Cruz

Resumo: O poema de San Juan de la Cruz, Llama de amor viva, carrega em seus versos alguns paradoxos de linguagem.  São expressões linguísticas onde uma palavra parece desdizer a outra para finalmente dizer aquilo que não pode ser dito: o indizível e inefável da experiencia de Deus.  Nossa reflexão analisará esses paradoxos, no sentido de serem uma característica recorrente da linguagem amorosa, mas muito especialmente da linguagem mística, na qual a Alteridade é divina e, portanto, escapa às regras da linguagem.

Palavras-chave: Juan de la Cruz; poesia mística; amor; linguagem.

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