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PROGRAMAÇÃO
1º encontro - dia 25/05/2026 - 19h.
Prof. Dr. Marcelo Barreira
A
“experiência” entre o dizer e a linguagem comum na mística de João da Cruz
- Uma leitura desde Michel de Certeau.
Resumo: A abordagem certeauniana da mística, em sua
obra A Fábula Mística: Séculos XVI e XVII (2015),
frisa um deciframento do não dito ou silenciado naquilo que foi dito.
Assim, acompanharemos esse eixo interpretativo na leitura do que seria
uma apropriação do símbolo da “noite” e dos estados dionisianos
por João da Cruz, que ilustra uma circularidade entre o “dizer” poético e a
“linguagem comum” para resgatar o sentido “esquecido” de sua origem metafórica,
como gesto ético “essencial” da enunciação mística, sendo
essa essência da enunciação mística um acontecimento do dizer
poético. Assim, nossa leitura do que seria uma apropriação do símbolo da
“noite” e dos estados dionisianos por João da Cruz ilustra uma circularidade
entre o “dizer” poético e a “linguagem comum” para resgatar o sentido
“esquecido” de sua origem como gesto ético “essencial” da enunciação mística.
Nesse sentido, a imprevisibilidaded a experiência carrega a seiva vital e original de um “dizer” não
indexicalizável, ou seja, a dimensão existencial da experiência subverte a
teologia por ser uma ação direta e teologal que estimula, mais do que a
inefabilidade, o espaço poético de um “dizer” em sua densa potencialidade
semântica.
2º encontro - dia 15/06/2026 - 19h.
Prof. Dr. Messias Correia
A ascensão da alma: desapego e amor na mística de João da Cruz.
Resumo: A mística constitui um fenômeno
presente na experiência humana, manifestando-se tanto no âmbito religioso
quanto fora dele, inclusive entre indivíduos sem vínculo com credos ou
instituições organizadas. Diante desse amplo horizonte, este estudo delimita-se
à tradição cristã, com foco na obra Subida ao Monte Carmelo,
do místico espanhol João da Cruz. Seus escritos delineiam um itinerário de
transformação interior que conduz à união com o divino. Tal percurso é marcado
pela purificação dos sentidos e pelo desapego das realidades criadas, etapas
necessárias para que a alma alcance a união amorosa com Deus. João da Cruz
enfatiza que a alma deve libertar-se não apenas das percepções sensíveis, mas
também das experiências espirituais às quais se apega, pois, esses apegos
acarretam diversos prejuízos: enfraquecimento da fé, impedimento da elevação
espiritual, dificuldade na verdadeira resignação e fixação no que é inferior ou
secundário. Como consequência, a alma pode gradualmente afastar-se da graça, chegando
a confundir o mal com o bem. E não somente isso, pode incorrer em uma escolha
inferior em detrimento do verdadeiro Bem, Deus. Desse modo, a fidelidade da
alma permite que Deus a conduza por um processo ascensional, estruturado em
sete graus de amor, número simbólico da perfeição, que se contrapõem aos seis
danos causados pelo apego desordenado. Esses graus representam o amadurecimento
progressivo da alma em sua luta contra os vícios, culminando na união
transformante. A imagem da subida ao monte expressa, assim, o dinamismo do
crescimento espiritual e da maturação interior. Diante disso, a problemática
gravita em todo da necessidade em entender como ocorre a dinâmica ou o processo
de desapego dos bens sensíveis e espirituais na mística do monge carmelita. Do
mesmo modo, é pertinente saber a que se destina tal desprendimento e qual o
resultado a alma alcança mediante a esse processo de elevação espiritual.
3° encontro - dia 06/07/2026 - 19h.
Francisco Romário de Queiroz Silva
e Prof. Dr. Antonio Pereira Júnior
A
ação cauterizadora da chama no processo de purificação do homem interior para a
união da alma com Deus na mística de são João da Cruz.
Resumo: Adentrar na mística teológica de
São João da Cruz constitui, per se, um desafio de altíssima exigência
teórico-espiritual; nesse sentido, devemos nos aproximar com bastante cautela e
humildade intelectual. Dito isto, este breve ensaio propõe-se a investigar o
processo de cauterização da alma realizado pela Divina Chama no homem interior,
tal como descrito no poema “Chama de Amor Viva”, deste grande poeta místico.
Para tanto, nossa pesquisa será norteada pela seguinte problemática: como um
cautério ardente pode ferir de forma tão dolorosa o íntimo da alma humana e, ao
mesmo tempo, tocá-la com tanta sensibilidade e ternura, conduzindo-a ao
matrimônio espiritual, onde Amado e amante se unem num perfeito enlace místico
de amor? Definido, assim, o nosso objeto de estudo — a saber, o referido poema
—, procuramos identificar nele o eixo central da mística sanjoanista: o
matrimônio espiritual da alma com Deus que, para acontecer, exige que a alma
passe, primeiramente, por este processo de κάθαρσις (kátharsis), ou purificação
e reordenação de suas faculdades interiores — inteligência, vontade e memória
—, para que, assim, consiga desprender-se de todas as coisas que impedem tão
sublime união. Nesse processo, a alma ainda cativa dos seus apetites sensíveis
padece a dor do desprendimento, que somente com o auxílio da Graça Divina será
possível superar. Auxiliada pela Graça e movida pelo amor do seu Amado, a alma
permite a ação cauterizadora — embora dolorosa — em seu centro mais profundo,
provocando uma transformação da alma que, agora purificada, se lança nos braços
do Amado.
Palavras-chave: Mística; Chama de Amor Viva; cauterização; matrimônio espiritual.
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4º encontro - dia 20/07/2026 - 19h.
Dr. Gilmar Araújo Gomes
O
Beijo da Divindade e o Repouso da Alma: perspectivas apofáticas comparadas
entre Judá Abravanel e Juan de la Cruz no Cântico dos Cânticos.
Resumo: Trata-se da análise das
convergências entre os Diálogos de Amor de Judá Abravanel (Leão Hebreu)
e a produção mística de Juan de la Cruz na obra A Noite Escura da Alma,
textos lidos sob a ótica da teologia apofática e da mística comparada. Nessas
obras destacam-se conceitos como a morte feliz do amante, o desejo e o repouso
da alma no amado. Em foco central está a hermenêutica do Cântico dos
Cânticos, suporte lírico fundamental para o estudo da união mística em
ambos os autores. Abravanel interpreta o texto salomônico como uma alegoria
metafísica e cosmológica da união entre a Sapiência Divina (a Amada) e o Sumo
Belo (o Amado), resultando na perfeição do intelecto criado através do beijo
intelectivo que retira a alma do corpo. Por sua vez, Juan de la Cruz
personifica essa busca na jornada purificadora da alma individual em direção ao
Esposo, descrevendo o beijo divino como o toque substancial que transforma a
criatura no Criador por participação amorosa. Enquanto o judeu sefardita
fundamenta a união com Deus na copulação intelectiva e no sincretismo
neoplatônico-cabalístico, o carmelita enfatiza a noite purificadora do
espírito. A análise demonstra que, apesar das raízes confessionais distintas,
ambos convergem no simbolismo nupcial de Salomão para exprimir o inefável.
Deste modo, a mística comparada tende a revelar uma universalidade da superação
da finitude humana no encontro unitivo com a divindade.
Palavras-chave: Judá Abravanel (Leão Hebreu); Juan de la Cruz; Cântico dos Cânticos; Morte Feliz; Mística Comparada; Teologia Apofática
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5º encontro - dia 10/08/2026 - 19h.
Prof. Dr. Cicero Bezerra
Contemplação
e teologia mística: a presença de Pseudo Dionísio no Cântico espiritual de Juan
de la Cruz.
Resumo:
O Cántico
espiritual tem como base uma experiência contemplativa marcada
essencialmente pelo amor. Descrita em termos negativos, no sentido apofático
que nutre uma longa tradição de intérpretes da obra pseudodionisiana, essa
experiência encontra, nas Canções, toda a beleza poética que expressa a relação
entre a alma (esposa) e Cristo (esposo). Compreendidas comumente em seus
aspectos místicos, as Canções seriam exemplo de uma perenidade em que teologia
(cristã) e filosofia (neoplatônica) formam uma unidade indissolúvel, marcada
principalmente pelo caráter ascensional e extático-unitivo. No entanto, é
preciso indagar sobre o que há de influência e de originalidade entre a
teologia mística e o Cántico, elementos que os aproximam, mas também os diferenciam
em seus pressupostos e finalidades.
Palavras-chave: Dionísio Pseudo Areopagita;
Teologia mística; Juan de la Cruz; neoplatonismo.
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6º encontro - dia 31/08/2026 - 19h.
Ms. Artur Viana do Nascimento Neto
Arquitetura poética
do dizer místico: estudo formal e proposta de tradução do poema “Cântico
Espiritual” de São João da Cruz
Resumo: Falar do poema “Cântico
Espiritual” é, indubitavelmente, dirigir-se à peça poética sobre a qual São
João da Cruz mais se debruçou. Os relatos de pessoas próximas ao poeta místico
afirmam que o carmelita reformado iniciou a escrita desse poema quando ainda
estava preso no cárcere toledano, em 1578, e que, nos meses seguidos a sua fuga
da prisão, voltou, repetidas vezes, a revisitar suas estrofes, acrescentando
novos versos e mudando sua ordem. Temos, portanto, uma composição que reflete o
trabalho de um poeta profissional, o qual, afinado às tendências estéticas do
período histórico em que estava inserido, soube lidar magistralmente com a arte
da escrita poética, tanto na metrificação de seus versos, quanto nos recursos
estilísticos e nas referências bíblicas das quais estão repletas suas
“canções”. Assim, esta comunicação tem o objetivo de evidenciar o trabalho
técnico de João da Cruz ao longo das quarenta “estrofes” do “Cântico
Espiritual”; e para tornar essa análise mais encorpada foram considerados os
estudos de Eulogio Pacho (1981) acerca do processo de criação e revisão do
poema; as contribuições de Sânzio de Azevedo (1997) a respeito de uma teoria do
verso; os estudos sobre a partir da perspectiva de Celso Cunha, Lindley Cintra
(2001) e Evanido Bechara (2004) e as contribuições para os Estudos da Tradução
de Christiane Nord (2016). O estudo formal do poema
levou-nos a concluir que o “Cântico Espiritual” é, per se, uma peça exemplar da lira renascentista, uma releitura
mística admirável do Cântico dos cânticos
e uma escola esmerada do bom uso dos recursos estilísticos.
Palavras-chaves: Cântico Espiritual. São João da
Cruz. Estilística. Estudos da Tradução. Metrificação.
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7° encontro - dia 14/09/2026 - 19h.
Profa. Dra. Cleide Maria de Oliveira
Imagens noturnas na poesia de São
João da Cruz
Resumo:
A noite é um
símbolo recorrente em diversas tradições místicas, estando associado à
necessidade, expressa pela mística apofática, de transcender às imagens, ao
conhecimento e ao nome de Deus, bem como a um método ascético que conduziria a
uma experiência que não sendo sensível ou inteligível, não é catalogável pelo
nosso sistema de cognição. Na poesia de São João da Cruz será uma das figuras
mais poderosas e de maior expressividade, falando-nos de um processo de negação
gradual e progressivo que avança até um ponto limite que onde reste a afirmação
absoluta do Nome divino. A conferência pretende ensaiar algumas conjecturas
sobre o significado da metáfora noite escura em São João da Cruz e no discurso
místico em geral,
Palavras-chave: São João da Cruz; poesia; noite
escura.
8º encontro - dia 28/09/2026 - 19h.
Prof. Dr. Bruno Albuquerque
Experiência
mística e escrita poética: São João da Cruz à luz da psicanálise
Resumo: Partimos de uma valiosa indicação
do psicanalista francês Jacques Lacan em seu seminário “As psicoses”, onde ele
estuda com criatividade e rigor a investigação psicanalítica de Sigmund Freud
em “Observações psicanalíticas sobre um caso de paranoia (dementia paranoides)
descrito autobiograficamente”. Em seu clássico estudo sobre a paranoia, o
criador da psicanálise lê e comenta o livro “Memórias de um doente dos nervos”,
escrito pelo jurista Daniel Paul Schreber, que se tornou um dos pacientes
psiquiátricos mais conhecidos da literatura especializada. Explorando os
detalhes do delírio paranóico do juiz sob diferentes abordagens, Lacan recorre
à poesia de São João da Cruz como testemunho de uma experiência mística
totalmente distinta da vivência de Schreber e, ao mesmo tempo, um formidável contraponto
à devastação vivida na psicose. Embora os dois escritores se refiram a uma
experiência com Deus, o relato do paciente alemão testemunha suas vivências em
termos de uma invasão angustiante e devastadora, enquanto o místico espanhol
escreve poeticamente sobre sua experiência como uma celebração jubilosa sob a
metáfora de um casamento espiritual. Em suma, o objetivo deste trabalho é
investigar as distinções entre a experiência mística e o delírio psicótico no
pensamento lacaniano, a fim de apresentá-las como uma contribuição da
psicanálise aos estudos da mística cristã.
Palavras-chave: Mística; poesia; São João da Cruz; Psicanálise; Jacques Lacan.
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9º encontro - 05/10/2026 - 19h.
Drd. Elves Franklin Bispo de Araujo
Aproximações
entre Mestre Eckhart e João da Cruz: a presença ausente do nada
Resumo: Estudos recentes, a exemplo do artigo San Juan de la Cruz, lector del Maestro Eckhart da Profª. Drª. Silvia Bara Bancel, evidenciam como São João da Cruz teve acesso, tanto indireto quanto direto, aos escritos do Mestre Eckhart. Tais aproximações se deram por meio das obras de Tauler traduzidas no século XVI, especialmente na versão latina de 1548 de Surio, amplamente difundida na Espanha. A autora sustenta que tais textos eckhartianos traduzidos por Tauler e Surio exerceram influência significativa sobre o pensamento do místico carmelita, sobretudo em noções centrais da tradição mística, como o despojamento, a interioridade e a união com Deus. Embora São João da Cruz e Mestre Eckhart pertençam a épocas e contextos diferentes (século XVI espanhol e século XIV alemão, respectivamente), ambos compartilham temas profundos de "desapossamento" (desapego), negação e aniquilação do eu para a união com Deus. Outrossim, como Eckhart no Sermão 68, são numerosos os convites do carmelita para o desprendimento; por exemplo, em seu poema do Monte Carmelo quando diz que "para vir de tudo para tudo, você tem que se deixar de tudo em tudo". Assim, é a partir da análise dos Sermões 1, 4, 17, 46, 68, 69, 101, 102 e 104B e outras passagens eckhartianas que tal aproximação entre os autores identifica convergências temáticas e ressonâncias conceituais nas obras, permitindo considerar, de modo fundamentado, que João da Cruz pode ser compreendido como leitor de Eckhart, sem prejuízo de sua originalidade, mas antes como expressão de uma reelaboração criativa no interior da tradição mística cristã.
Palavras-chave:
Eckhart; João da Cruz; mística; neoplatonismo.
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10º encontro - 19/10/2026 - 19h.
Ms. Gustavo Gomes Zuma
Da
via meditativa à via contemplativa: três sinais para a transição segundo São
João da Cruz
Resumo: João da Cruz, Doutor
da Igreja e místico contemplativo, descreve o itinerário espiritual que conduz
à união perfeita com Deus por meio do amor. Sua doutrina, estruturada a partir
de poemas em verso seguidos de comentários em prosa, aborda o caminho a ser percorrido
por aqueles que aspiram à perfeição, prerrogativa para o matrimônio espiritual
definitivo da alma com o Amado.
Reconhecido
como expoente da teologia mística de caráter apofático, João da Cruz propõe uma
ascese marcada pelo despojamento radical: “para chegar a tudo, é preciso
renunciar a tudo”. Sua doutrina se organiza em torno da dinâmica do “tudo e
nada”, que implica a suspensão do modo discursivo de conhecimento e abre espaço
à infusão de uma notícia geral, amorosa e obscura de Deus, superando o esforço
de apreensão conceitual por parte do entendimento.
O
início do caminho, entretanto, deve ser percorrido de modo ativo pelo
aspirante, por meio de exercícios espirituais que têm por função purificar os
sentidos e melhor preparar a alma para o cultivo da vida interior. A meditação
discursiva apoiada em imagens, formas e figuras é um dos exercícios espirituais
exortados aos iniciantes no caminho. Este tipo de disciplina mobiliza as
faculdades do entendimento e, nesta etapa, o aspirante pode receber
comunicações espirituais que alimentam e fortalecem sua devoção no caminho de
ascese.
No
capítulo XIII do Livro II da Subida do Monte Carmelo, João da Cruz
aponta três sinais, a serem observados pelo aspirante, que indicam o momento
oportuno de se abandonar a via meditativa e abraçar a via contemplativa.
O
objetivo desta comunicação é expor esses sinais, bem como situar o modo pelo
qual os iniciantes são introduzidos na contemplação, etapa decisiva no
itinerário espiritual delineado pelo Doutor Místico.
Palavras-chave: João da Cruz; contemplação;
teologia mística; via apofática; meditação.
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11º encontro - dia 16/11/2026 - 19h.
Dr. Irenio Silveira Chaves
Uma
leitura protestante da “Noite Escura da Alma”: Fé e graça na mística de João da
Cruz.
A
leitura protestante da “Noite escura da Alma”, de São João da Cruz – ou
simplesmente João da Cruz, numa concepção radicalmente protestante – pode ser
realizada a partir do aspecto pedagógico da graça, na qual a fé é purificada de
seus pressupostos sensíveis e intelectuais. Tendo como ponto de partida a ideia
de que a “noite” representa um processo de esvaziamento das seguranças humanas,
conduzindo a alma a uma união mais plena com Deus, é possível traçar um
itinerário que pode ser compreendido como a radical dependência da graça
divina, na qual toda pretensão de mérito humano é desfeita. A teologia
protestante enfatiza que a fé autêntica emerge precisamente quando o sujeito
reconhece sua incapacidade de alcançar Deus por suas próprias forças. Nesse
sentido, a “noite escura” pode ser vista como uma experiência existencial
análoga ao conceito de anfechtung (tentação) de Lutero. Trata-se de uma
expressão jurídica que se refere a um momento de crise, dúvida e abandono, no
qual Deus parece ausente, mas está operando de modo oculto. A graça, então, não
se manifesta como consolo imediato, mas como sustentação invisível. A abordagem
poética de São João da Cruz oferece uma abordagem que dialoga com a compreensão
do Deus que age na obscuridade, e da fé que se torna confiança despojada, não
apoiada em evidências sensíveis.
Palavras-chave: Mística; São João da Cruz;
Protestantismo; Noite Escura da alma; Graça.
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12º encontro - dia 14/12/2026 - 19h.
Profa. Dra. Maria Clara Bingemer
Chama
de amor viva: os paradoxos da linguagem de Juan de La Cruz
Resumo: O poema de San Juan de la Cruz, Llama
de amor viva, carrega em seus versos alguns paradoxos de linguagem. São expressões linguísticas onde uma palavra
parece desdizer a outra para finalmente dizer aquilo que não pode ser dito: o
indizível e inefável da experiencia de Deus.
Nossa reflexão analisará esses paradoxos, no sentido de serem uma
característica recorrente da linguagem amorosa, mas muito especialmente da
linguagem mística, na qual a Alteridade é divina e, portanto, escapa às regras
da linguagem.
Palavras-chave:
Juan de la Cruz;
poesia mística; amor; linguagem.
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Maravilha de evento!
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